Diabetes tipo 1

Definição

O diabetes tipo 1 é uma doença que dura a vida toda (crônica) na qual são observados altos níveis de açúcar (glicose) no sangue.

Nomes alternativos

Diabetes insulino-dependente; Diabetes juvenil; Diabetes - tipo 1

Causas

O diabetes tipo 1 pode ocorrer em qualquer idade. No entanto, é mais comumente diagnosticado em crianças, adolescentes e adultos jovens.

A insulina é um hormônio produzido no pâncreas por células especiais, chamadas células beta. O pâncreas se encontra atrás do estômago. A insulina é necessária para levar o açúcar do sangue (glicose) às células, onde fica armazenado e, depois, é utilizado para gerar energia. No diabetes tipo 1, as células beta produzem pouca ou nenhuma insulina.

Sem insulina suficiente, a glicose se acumula no sangue em vez de ir para as células. O corpo não consegue usar essa glicose para gerar energia. Isso leva ao aparecimento dos sintomas do diabetes tipo 1.

A causa exata do diabetes tipo 1 é desconhecida. Ela é provavelmente uma doença autoimune. Uma infecção ou algum outro fator pode fazer com que o corpo erroneamente ataque as células do pâncreas que produzem insulina. Esse tipo de doença pode ser transmitido de geração em geração.

Sintomas

GLICEMIA ALTA

Os seguintes sintomas podem ser os primeiros sinais do diabetes tipo 1, ou podem ocorrer quando o nível de açúcar no sangue está alto:

Para outras pessoas, os seguintes sintomas podem ser os primeiros sinais de diabetes tipo 1, ou podem ocorrer quando o nível de açúcar no sangue estiver muito alto (cetoacidose diabética):

GLICEMIA BAIXA

Baixo nível de açúcar no sangue (hipoglicemia) pode aparecer rapidamente em pessoas com diabetes que tomam insulina. Os sintomas normalmente surgem quando o nível de açúcar no sangue cai para menos de 70 mg/dL. Atenção para:

Após muitos anos, o diabetes pode levar a problemas sérios, resultando em diferentes sintomas.

Sinais e exames

O diabetes é diagnosticado através dos seguintes exames de sangue:

O teste de cetonas também poderá ser solicitado. O teste de cetonas é realizado usando uma amostra de urina ou sangue. O teste de cetonas pode ser realizado:

Os seguintes testes ou exames ajudarão o médico a monitorar o diabetes e prevenir suas complicações:

Tratamento

Como o diabetes 1 pode começar de repente, e os sintomas podem ser graves, pacientes que acabaram de ser diagnosticados podem precisar de internação hospitalar.

Se o seu diagnóstico de diabetes tipo 1 for recente, você deverá realizar um check-up toda semana, provavelmente, até que consiga controlar o nível de açúcar no sangue. Seu médico analisará os resultados do monitoramento do nível de açúcar no sangue em casa e dos exames de urina. Ele também observará seu diário de refeições e injeções de insulina. Pode ser necessário um período de adaptação de algumas semanas até que se encontre a dose correta de insulina correspondente à sua dieta e ao seu nível de atividade física.

À medida que a doença se estabilizar, menos visitas de acompanhamento serão necessárias. Consultar o médico é muito importante para monitorar as complicações a longo prazo decorrentes do diabetes.

Seu médico provavelmente encaminhará você para um nutricionista, farmacêutico e enfermeiro com experiência em educação de pacientes diabéticos. Esses profissionais ajudarão você a monitorar o diabetes.

No entanto, você é a pessoa mais importante no controle do seu diabetes. Você deve aprender as técnicas básicas para lidar com o diabetes:

INSULINA

A insulina baixa os níveis de açúcar no sangue, permitindo a passagem do açúcar do sangue para as células. Todas as pessoas com diabetes tipo 1 devem tomar insulina todos os dias.

A insulina é geralmente aplicada por via subcutânea, caneta ou bomba de insulina. Outra forma mais recente é a insulina inalada. A insulina não é encontrada em comprimidos pois a acidez do estômago destrói a insulina.

Os tipos de insulina variam conforme o tempo necessário para começar a fazer efeito e a duração desse efeito. O médico escolherá o melhor tipo de insulina e determinará a que hora do dia ela deve ser aplicada. Mais de um tipo de insulina podem ser combinados em uma aplicação para controlar melhor a glicemia. Alguns tipos de insulina não devem ser misturados.

O médico ou um enfermeiro ensinará você a aplicar as injeções de insulina. No início, as injeções de uma criança podem ser aplicadas por um dos pais ou outro adulto. Ao completar 14 anos, a maioria das crianças já consegue aplicar as injeções sozinha.

A insulina inalada tem apresentação em pó. Ela age rapidamente e é geralmente usada logo antes das refeições. Discuta com o seu médico se esse tipo de insulina é adequado para você.

Pessoas com diabetes devem saber como ajustar a quantidade de insulina que tomam:

DIETA E EXERCÍCIOS

A medição da glicemia poderá oferecer orientação quanto a alimentos e atividades que aumentam ou diminuem o nível de açúcar no sangue. Isso ajudará você a ajustar as doses de insulina em refeições e atividades físicas específicas para evitar hiperglicemia ou hipoglicemia. O acompanhamento com um nutricionista também poderá ajudar.

Exercícios regulares ajudam a controlar os níveis de açúcar no sangue. Eles também ajudam a queimar gorduras e calorias extras para alcançar um peso ideal.

Consulte seu médico antes de iniciar um programa de exercícios. Pessoas com diabetes tipo 1 devem tomar precauções especiais antes, durante e depois de atividades físicas.

CONTROLANDO SUA GLICOSE

Verificar sua glicose em casa e anotar os resultados ajudam a controlar melhor o diabetes. Fale com seu médico sobre a frequência com que você deve verificar a sua glicemia.

Um aparelho chamado glicosímetro mede os níveis de açúcar no sangue. Existem diferentes tipos de aparelhos. Geralmente, fura-se o dedo com uma pequena agulha chamada lanceta para obter uma gota de sangue. Coloca-se o sangue em uma tira reagente que é inserida no aparelho.

Mantenha registrado os níveis de glicose para você e equipe médica. Isso ajudará caso tenha problemas em controlar seu diabetes. Você e seu médico devem estipular determinados valores para seus níveis de glicose em diferentes horas do dia. Também deve ser planejado o que fazer quando a glicose estiver muito baixa ou muito alta.

Discuta com o seu médico os valores ideais do teste da hemoglobina glicosilada A1c. Este teste mostra a média da glicemia nos últimos 3 meses e como está o controle do diabetes. O alvo para a maioria dos pacientes deve ser inferior a 7.5%.

A baixa concentração de glicose no sangue é chamada de hipoglicemia. Níveis de glicose menores do que 70 mg/dL são muito baixos e podem causar danos. Um valor inferior a 54 mg/dL exige avaliação médica imediata. Manter bom controle da glicemia poderá prevenir episódios de hipoglicemia. Converse com o seu médico se você tiver dúvidas em relação aos sintomas de hipoglicemia.

CUIDADOS COM OS PÉS

Pessoas diabéticas têm maior chance de desenvolver problemas nos pés. O diabetes pode danificar os nervos, prejudicando a sensação de pressão, dor, frio ou calor. Pode-se não notar uma lesão nos pés até que ela se torne uma infecção grave.

O diabetes pode também lesionar os vasos sanguíneos. Pequenas feridas ou rachaduras na pele podem se tornar feridas mais profundas (úlceras). Se essas feridas não melhorarem ou se tornarem maiores ou mais profundas, poderá ser necessário amputar o membro afetado.

Para evitar problemas nos pés, você deve:

EVITANDO COMPLICAÇÕES

O médico pode prescrever remédios ou outros tratamentos para reduzir as chances de desenvolver complicações, incluindo:

Outras complicações incluem perda auditiva, doença gengival ou infecções fúngicas (em mulheres). Manter a glicemia sob controle pode ajudar a prevenir essas condições.

Converse com a sua equipe médica sobre outras medidas que você pode tomar para diminuir suas chances de desenvolver complicações de diabetes.

SAÚDE EMOCIONAL

Viver com diabetes pode ser estressante. Você pode se sentir sobrecarregado com tudo o que precisa fazer para gerenciar seu diabetes. No entanto, cuidar da sua saúde emocional é tão importante quanto cuidar da sua saúde física.

Maneiras de aliviar o estresse incluem:

Sentir-se triste ou ansioso ocasionalmente é normal. No entanto, se você tem esses sentimentos com frequência e eles estão atrapalhando o controle do diabetes, converse com a sua equipe de saúde. Eles podem encontrar maneiras de ajudá-lo a se sentir melhor.

Grupos de apoio

Existem muitos recursos que poderão ajudá-lo a entender mais sobre diabetes tipo 1. Você também pode aprender maneiras de gerenciar sua condição para que você possa viver bem com diabetes.

Expectativas (prognóstico)

O diabetes é uma doença que dura a vida toda e ainda não existe cura.

O controle rigoroso dos níveis de glicose no sangue pode evitar ou retardar o aparecimento de complicações. No entanto, complicações podem ocorrer mesmo em pessoas com um bom controle do diabetes.

Complicações

Após muitos anos, o diabetes pode levar a problemas sérios:

Quando contatar um profissional de saúde

Ligue para um número de emergência como 192 se você apresentar:

Ligue para o médico ou vá para o pronto-socorro se apresentar sintomas de cetoacidose diabética.

Também entre em contato com o seu médico se apresentar:

É possível tratar os sintomas iniciais de hipoglicemia em casa com suco de laranja, açúcar ou doces, conforme orientação do seu médico e nutricionista. Se os sinais de hipoglicemia persistirem ou os níveis de glicose estiverem abaixo de 60 mg/dL, vá ao pronto-socorro.

Prevenção

Não existe nenhuma maneira de prevenir o diabetes tipo 1. Não há teste de triagem para pessoas com diabetes tipo 1 que não apresentam sintomas.

Referências

American Diabetes Association. Standards of medical care in diabetes – 2017. Diabetes Care. 2017;40(Suppl 1):S1-S98. care.diabetesjournals.org/content/40/Supplement_1.

Atkinson MA. Type 1 diabetes mellitus. In: Melmed S, Polonsky KS, Larsen PR, Kronenberg HM, eds. Williams Textbook of Endocrinology. 13th ed. Philadelphia, PA: Elsevier; 2016:chap 32.

Cagliero E. Diabetes and long-term complications. In: Jameson JL, De Groot LJ, de Kretser DM, et al, eds. Endocrinology: Adult and Pediatric. 7th ed. Philadelphia, PA: Elsevier Saunders; 2016:chap 51.


Data da revisão: 2/22/2018
Revisão feita por: Brent Wisse, MD, Associate Professor of Medicine, Division of Metabolism, Endocrinology & Nutrition, University of Washington School of Medicine, Seattle, WA. Internal review and update on 03/28/2019 by David Zieve, MD, MHA, Medical Director, Brenda Conaway, Editorial Director, and the A.D.A.M. Editorial team.
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